{"id":537,"date":"2024-11-09T13:40:17","date_gmt":"2024-11-09T18:40:17","guid":{"rendered":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/?p=537"},"modified":"2024-11-09T13:42:23","modified_gmt":"2024-11-09T18:42:23","slug":"para-conceicao-porque-sempre-estaremos-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/2024\/11\/09\/para-conceicao-porque-sempre-estaremos-aqui\/","title":{"rendered":"PARA CONCEI\u00c7\u00c3O PORQUE SEMPRE ESTAREMOS AQUI"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ah, Concei\u00e7\u00e3o <strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/conceicao.freitas.357?__cft__[0]=AZXz2TzmGR8nU66BtsbRa564qpW8bBOJG6ubj2ipjVzKF5q0Jdj-fi_sjRnBOlQmpkFzQEXgn5DY0Dof9acXWQsR1-hPSW_52goYTuOCY9Jnn_4IEL9W3aLNdA9KoINZhPsid71ZMJBCzPhc1atxeJP3&amp;__tn__=-]C%2CP-R\">Freitas<\/a><\/strong> teu texto sobre o filme que nos fala de Eunice, das nossas lutas, dos sonhos destru\u00eddos \u00e9 mais um primor. Mas isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Afinal de contas, n\u00f3s que te lemos temos absoluta certeza de que es capaz de transformar uma pedra sem glamour num diamante cobi\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>Li e at\u00e9 reli teu texto sobre o quase sacrif\u00edcio que \u00e9 deixar nossa poltrona com mantinha e almofadas, biscoitinho e caf\u00e9 quente, luminosidade <a><\/a>adaptada aos nossos olhos e sentar em cadeiras enfileiradas com sons em alturas que incomodam nossos ouvidos e uma luminosidade n\u00e3o calculada para todos os olhos. Mesmo assim pratico ese exerc\u00edcio com uma certa frequ\u00eancia para n\u00e3o trair minha ra\u00edzes de cin\u00e9fila.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, hesitei e ainda hesito diante do filme que fala de Eunice. Ela foi minha amiga, minha h\u00f3spede dezenas de vezes quando chegava em Bras\u00edlia ainda nos anos 70 n\u00e3o apenas pra buscar pistas do paradeiro do deputado Rubens Paiva mas, tamb\u00e9m, advogando em defesa dos direitos ind\u00edgenas. Eunice foi, por muitos anos, advogada de v\u00e1rias causa quase perdidas de diferentes povos ind\u00edgenas, desde os Kaiow\u00e1 de Mato Grosso do Sul aos Macuxi de Roraima.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminado o dia, ela quase sempre chegava na minha casa no come\u00e7o da noite, ainda com sua pequena valise de viagem, suficiente para passar uma noite em Bras\u00edlia, tomava um banho r\u00e1pido e nos sent\u00e1vamos para conversar, para conspirarmos em favor do Brasil, sonh\u00e1vamos com a liberdade, com o dierito de enterrrar nossos mortos. Geralmente as conversas eram na mesa da cozinha onde tom\u00e1vamos um caldo quente ou apenas belisc\u00e1vamos intermin\u00e1veis fatias de queijo com p\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes a madrugada surpreendia nossas conversas sempre intermin\u00e1veis que em muitos momentos continuava na semana seguinte porque eram tempos que a luta quase n\u00e3o nos deixava dormir.<\/p>\n\n\n\n<p>Doce, serena, fala tranquila de quem guarda a sabedoria da vida, Eunice era uma presen\u00e7a que deixava no ar um gosto de tenacidade. Nem sempre nos desped\u00edamos porque ela acordava cedo e saia com sua valise. Para S\u00e3o Paulo ou para a peregrina\u00e7\u00e3o dos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ritual durou alguns anos. Pelo menos at\u00e9 a demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio Yanomami. Depois n\u00e3o nos vimos nunca mais, mas nos acompanh\u00e1vamos \u00e0 dist\u00e2ncia. Nossos amigos eram nosso elo.<\/p>\n\n\n\n<p>E, quando vi Walter Salles debru\u00e7ado no projeto do filme, neu cora\u00e7\u00e3o se aqueceu porque ele manteria viva n\u00e3o apenas a hist\u00f3ria de brava Eunice, mas nossa Hist\u00f3ria de lutas, a hist\u00f3ria de dezenas de mulheres que ainda hoje procuram seus filhos, filhas, maridos e irm\u00e3os devorados pelas botas dos fac\u00ednoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, quando foi anunciado o nome da atriz que interpretaria Eunice, senti um mal-estar. Meu mal-estar sempre \u00e9 representado por uma dor desconfort\u00e1vel no est\u00f4mago que j\u00e1 at\u00e9 me levou a exames m\u00e9dicos.Queriam descobrir \u00falceras, c\u00e2ncer. Se me ouvissem, n\u00e3o me submeteriam a esses testes.<\/p>\n\n\n\n<p>O mal estar foi provocado pelo ox\u00edmoro Eunice- Fernanda Torres. Fico imaginando que malabarismo fez essa atriz para interpretar o suave olhar de Eunice. Para mover os bra\u00e7os com a tranquilidade e for\u00e7a de Eunice e, sobretudo, para mostrar a humildade corajosa de Eunice Paiva.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o consigo dissociar a atriz fernanda Torres daquela desprez\u00edvel fuga do centro de vacina\u00e7\u00e3o que aplicava doses de vacina contra o Covid. Ela sa\u00edu correndo pela rua porque a vacina n\u00e3o era &#8220;gourmet&#8221;. Enquanto milhares de brasileiros sonhavam em receber a agulhada da salva\u00e7\u00e3o e faziam filas gigantescas na luta pela vida contra um v\u00edrus que matou milhoes mundo afora, a arrog\u00e2ncia da mulher mimada e snob n\u00e3o aceitou a vacina dispon\u00edvel porque n\u00e3o era a Astra-Zeneca. Aquele epis\u00f3dio marcou eus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0aessa atriz. Se antes era neutro, passou a ser de desprezo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o tenho certeza se quero assistir Eunice interpretada por seu ox\u00edmoro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me importa que receba pr\u00eamios, que seja laureado com a mais kitsch de todas as estatuetas que \u00e9 o Oscar&#8221; e que atraia milh\u00f5es de espectadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto &#8211; e nada impede que eu mude de opini\u00e3o &#8211; fico com a imagem da minha querida amiga, sentada na cozinha de um apartamento da 304 sul, tomando um caldo de milho com frango ou um caldo verde, falando de nossas esperan\u00e7as por um Brasil grande, soberano e sem botas manchadas com o sabgue da nossa resist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, Concei\u00e7\u00e3o Freitas teu texto sobre o filme que nos fala de Eunice, das nossas lutas, dos sonhos destru\u00eddos \u00e9 mais um primor. Mas isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Afinal de contas, n\u00f3s que te lemos temos absoluta certeza de que es capaz de transformar uma pedra sem glamour num diamante cobi\u00e7ado. Li e at\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"yes","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-537","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-general"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=537"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":539,"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/537\/revisions\/539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}