{"id":481,"date":"2024-02-23T08:46:29","date_gmt":"2024-02-23T13:46:29","guid":{"rendered":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/?p=481"},"modified":"2024-02-27T14:56:37","modified_gmt":"2024-02-27T19:56:37","slug":"teses-e-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/2024\/02\/23\/teses-e-filhos\/","title":{"rendered":"TESES E FILHOS"},"content":{"rendered":"\n<p>(Desculpem o ataque de vaidade)<\/p>\n\n\n\n<p>Sou de natureza aqu\u00e1tica. Ou seja, choro igual bezerro desmamado. Choro quando assisto &#8220;Casablanca&#8221;, sempre na mesma cena. E j\u00e1 asssisti 78 vezes. Contadinhas no caderno. Choro quando a mata queima e sei que os bichos das matas est\u00e3o correndo desesperados. Choro quando vejo imagens das crian\u00e7as palestinas, choro quando uma crian\u00e7a est\u00e1 chorando de sofrimento e eu n\u00e3o posso ninar. Devo ter um aq\u00fcifero de l\u00e1grimas em algum lugar do <a><\/a>meu corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas comecei a ler a tese da minha filha ca\u00e7ula e a\u00ed derramei as \u00e1guas do Xingu, do Amazonas, do Araguaia, do Anil, do Branco, do Caom\u00e9, do Uaricoera todas essas juntas escorreram e ainda est\u00e3o escorrendo dos meus olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre quis ter filhas. Eu queria ter seis filhas, mas a Natureza n\u00e3o me ajudou porque a Natureza \u00e9 s\u00e1bia e sabe que s\u00f3 tenho dois bra\u00e7os. Ent\u00e3o, ela me concedeu duas filhas. E tenho orgulho das duas. Elas fazem bem o que elas escolheram fazer. Jamais criei expectativa para que elas fossem isso ou aquilo. Mas sempre tive dois sonhos. Que elas fossem felizes e fizessem bem feito o que elas escolheram fazer na vida. E assim aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a ler a tese da minha doutorinha que quano crian\u00e7a queria ser bailarina, astronauta e cientista e hoje \u00e9 professora e posso dizer que \u00e9 cientista porque Antropologia \u00e9 uma ci\u00eancia que exige amor e saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando esbarrei nos agradecimentos, comecei a chorar. Nossas vidas juntaas passaram na minha frente. Decidi trazer aqui a parte dos agradecimentos que me diz respeito e me encheu de vaidade e de saudades de duas menininhas que s\u00e3o meu tesouro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segue a\u00ed o texto que faz parte dos agradecimentos da tese.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Entre os colegas e amigos seniores, os di\u00e1logos francos com Arist\u00f3teles Barcelos Neto me<\/p>\n\n\n\n<p>estimularam a continuar e n\u00e3o me desviar das sendas etnogr\u00e1ficas. Miguel Apar\u00edcio Su\u00e1rez, agora<\/p>\n\n\n\n<p>compadre, a quem sempre recorro com d\u00favidas e dilemas, me estimula e impele a continuar. Na<\/p>\n\n\n\n<p>Fran\u00e7a, Nathalie P\u00e9tesch me apoiou e estimulou, al\u00e9m de ter provido a karajologia com um dos seus<\/p>\n\n\n\n<p>insights mais importantes, que \u00e9 o da estrutura tri\u00e1dica. Os antrop\u00f3logos que frequentaram a casa da<\/p>\n\n\n\n<p>minha inf\u00e2ncia foram certamente o primeiro chamariz a essa ci\u00eancia e a esse mundo fascinante e<\/p>\n\n\n\n<p>cheio de desafios. Patrick Menget, Nathalie P\u00e9tesch, Dominique Buchillet, Bruce Albert e,<\/p>\n\n\n\n<p>tardiamente Christian Geffray: v\u00ea-los ir e vir de campo, ver suas longas esperas por autoriza\u00e7\u00f5es da<\/p>\n\n\n\n<p>Funai naqueles anos 1980, acompanhar de perto seu envolvimento n\u00e3o apenas com os \u00edndios<\/p>\n\n\n\n<p>enquanto fornecedores de dados interessantes mas enquanto parceiros, amigos e sujeitos que<\/p>\n\n\n\n<p>precisavam de apoio contra as invas\u00f5es, as injusti\u00e7as e os massacres. Crescer vendo seu trabalho e a<\/p>\n\n\n\n<p>luta em conjunto com os \u00edndios certamente formou boa parte da antrop\u00f3loga que me tornei.<\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o a Ricardo Cavalcanti-Schiel que me apoiou e deu suporte nos tempos em que<\/p>\n\n\n\n<p>dividimos nossas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 minha fam\u00edlia por afinidade agrade\u00e7o a Fernando, Cida e La\u00eds Geiser, pelo suporte e<\/p>\n\n\n\n<p>apoio. Especialmente a Cida por ser minha leitora entusiasta e por fazer perguntas que me mostram<\/p>\n\n\n\n<p>como devo me expressar para ser compreendida por leitores n\u00e3o especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na minha fam\u00edlia, certamente nada disso existiria se eu n\u00e3o fosse filha de Mem\u00e9lia Moreira, jornalista combativa e apaixonada por sua profiss\u00e3o e pela causa ind\u00edgena. Essa mulher<\/p>\n\n\n\n<p>forte, \u201cminha doce guerreira\u201d que vi virar tantas noites misturando escrita, pranto, luta e luto. Sua<\/p>\n\n\n\n<p>generosidade sem igual trouxe ao meu universo infantil hist\u00f3rias, \u00edndios, antrop\u00f3logos, indigenistas,<\/p>\n\n\n\n<p>sertanistas, todos na mesma minha casa, que j\u00e1 foi chamada de \u201cQG do indigenismo brasileiro\u201d por<\/p>\n\n\n\n<p>um certo antrop\u00f3logo franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A meu pai, Kristian Schiel, que foi ao Xingu muito antes de conhecer minha m\u00e3e, me<\/p>\n\n\n\n<p>ensinou a amar \u201ctodos os matos do mundo\u201d e me apresentou Karl May e Winnetou, o apache que<\/p>\n\n\n\n<p>encanta todo menino alem\u00e3o, de Kristian a Curt Nimuendaju.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha irm\u00e3, Cristina, que compartilhou comigo essa inf\u00e2ncia sui generis, foi meu ponto<\/p>\n\n\n\n<p>de apoio nas idas e vindas de campo, primeira casa que me recebia quando eu chegava das viagens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 fam\u00edlia que fundei. Agrade\u00e7o ao Gustavo Geiser por todo o carinho, o apoio, o suporte, a<\/p>\n\n\n\n<p>amizade, o di\u00e1logo absolutamente franco em todo e qualquer assunto. E finalmente, agrade\u00e7o a Iara<\/p>\n\n\n\n<p>e Mathias por me mostrarem a cada dia tudo o mais que h\u00e1 nessa vida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, desculpem meu surto de vaidade<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-comments\">\n\n\n\n\n\n\t<div id=\"respond\" class=\"comment-respond wp-block-post-comments-form\">\n\t\t<h3 id=\"reply-title\" class=\"comment-reply-title\">Leave a Reply<\/h3><p class=\"must-log-in\">You must be <a href=\"https:\/\/memeliamoreira.com\/blog1\/wp-login.php?redirect_to=https%3A%2F%2Fmemeliamoreira.com%2Fblog1%2F2024%2F02%2F23%2Fteses-e-filhos%2F\">logged in<\/a> to post a comment.<\/p>\t<\/div><!-- #respond -->\n\t<\/div>\n\n\n\n<form name=\"s2form\" method=\"post\"><input type=\"hidden\" name=\"ip\" value=\"216.73.216.19\" \/><span style=\"display:none !important\"><label for=\"firstname\">Leave This Blank:<\/label><input type=\"text\" id=\"firstname\" name=\"firstname\" \/><label for=\"lastname\">Leave This Blank Too:<\/label><input type=\"text\" id=\"lastname\" name=\"lastname\" \/><label for=\"uri\">Do Not Change This:<\/label><input type=\"text\" id=\"uri\" name=\"uri\" value=\"http:\/\/\" \/><\/span><p><label for=\"s2email\">Your email:<\/label><br><input type=\"email\" name=\"email\" id=\"s2email\" value=\"Enter email address...\" size=\"20\" onfocus=\"if (this.value === 'Enter email address...') {this.value = '';}\" onblur=\"if (this.value === '') {this.value = 'Enter email address...';}\" \/><\/p><p><input type=\"submit\" name=\"subscribe\" value=\"Subscribe\" \/>&nbsp;<input type=\"submit\" name=\"unsubscribe\" value=\"Unsubscribe\" \/><\/p><\/form>\r\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Desculpem o ataque de vaidade) Sou de natureza aqu\u00e1tica. 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